TDAH: preciso tomar remédio controlado?

TDAH

Essa sem dúvida é uma das primeiras perguntas que surgem depois do diagnóstico de TDAH. Seja você pai de um TDA ou um adulto ou adolescente que passou pela experiência da descoberta deste, ou de qualquer transtorno, é muito justo e bastante saudável que deseje conhecer os detalhes envolvidos no tratamento e se esse é o que há de melhor para você e para os que estão o aos seus cuidados.

O tratamento do TDAH é na verdade multimodal, quer dizer, envolve uma série de abordagem. Inclui orientação para os país e familiares, aplicação de técnicas psicopedagógicas no ambiente escolar e também psicoterapia. Em casos específicos o tratamento com fonoaudiólogo é recomendado. O tratamento medicamentoso também está incluído.

Posso tratar só com exercício dieta e terapia?
Exercícios físicos e boa alimentação são inteiramente úteis para a saúde de qualquer pessoa, e isso é especialmente recomendável para o TDAH. Entretanto não há nenhum programa de atividades físicas ou dieta comprovadamente eficaz como tratamento para o TDAH. Optar por não usar medicamentos para TDAH seria como um hipertenso preferir não tomar remédio e só fazer dieta e exercícios, talvez funcione mas as chances são pequenas e diminuem conforme o problema ser agrava e terá muito menos controle sobre a doença do que se tomasse o remédio

A terapia cognitivo comportamental é a única terapia comprovadamente eficaz no tratamento do TDAH e suas comorbidades. Em linguagem médica comorbidades são transtornos causados por outro transtorno, ou seja são doenças associadas a outra doença. Exemplos de comorbidades associadas ao TDAH são ansiedade e depressão. Embora a psicoterapia tenha se mostrado eficaz, pode não ser suficiente nos casos mais severos.

Quais os benefícios dos remédios?
Os medicamentos tem se mostrado uma poderosa ferramenta nesse combate, muito eficaz em estabilizar a desagradável tríade de sintomas, diminuindo a impulsividade e hiperatividade e aumentando a concentração, isso ajuda a organizar os pensamentos planejar atividades e pensar antes de falar e agir, com reflexos positivos na família na escola no trabalho, o que se traduz em melhor qualidade de vida.

Como se trata de um transtorno que apresenta uma variedade de formas não há uma fórmula que se aplique a todos os casos, além disso é preciso definir se há e quais são as comorbidades acopladas ao transtorno. Cada ser humano é singular, por isso é muito importante o diálogo franco e honesto com um médico com experiência em tratar TDAH para identificar os sintomas que causam maior desconforto e aos poucos encontrar o tratamento ideal para você.

De acordo com a associação brasileira de déficit de atenção (ABDA) os medicamentos são a forma de tratamento mais eficaz atualmente disponível, pelo mesmos duas vezes mais eficiente do que o tratamento não medicamentoso. Esses medicamentos são de uso controlado por que não devem ser tomados por quem não tem TDAH e quando usado do modo indicado pelo médico não causa nenhum tipo de dependência e os efeitos colaterais (insônia, falta de apetite, irritação gástrica) costumam ser brandos e diminuem com o tempo.

“Na atualidade, a indicação de psicofármacos para o
TDAH depende das comorbidades presentes. A literatura apresenta os estimulantes como as medicações de primeira escolha.
Existem mais de 150 estudos controlados, bem conduzidos metodologicamente, demonstrando a eficácia destes fármacos.” ( Rev Bras Psiquiatr 2000;22(Supl II):7-11)

Meu filho vai tomar remédio para o resto da vida?
Não necessariamente. Quando iniciado na infância o uso dos remédios poderá se interrompido com o tempo, visto que em muitos casos o TDAH se estabiliza na vida adulta normalmente a pessoa deixa de usar o medicamento.

Tomar ou não tomar?
Se você foi diagnosticado com uma forma branda de TDAH um terapeuta cognitivo comportamental poderá ajudar a desenvolver estratégias e ferramentas para compensar o déficit. Mas se seu TDAH foi classificado de moderado a grave tratamento medicamentoso lhe dará um ganho considerável no combate dos indesejáveis efeitos do transtorno em sua vida, contribuindo para aproveitar plenamente os benefícios da abordagem não medicamentosa.

Pense bem! Quando temos desconfortos hepáticos tomamos remédios para o fígado, se temos problemas cardíaco tamanhos remédio para o coração, se cuidamos da melhor forma esses órgãos tomando remédio quando necessário, por que tratar de forma diferente o principal órgão do nosso corpo, o cérebro? Converse com um especialista em TDAH e se ele lhe indicar o uso do medicamento encare isso como uma ferramenta a mais na busca de uma melhor qualidade de vida.

Bibliografia
Barkley: Russell A.; Vencendo o TDAH adulto; 2011; ; Artmed; 9788536326122
silva: Ana Beatriz B.; Mentes inquietas; 2008; ; Objetiva; 9788539000852
Louzã: Mario Rodrigues; TDAH ao longo da vida; 2011; ; Artmed; ISBN 9788536321325
ABDA: Associação brasileira de deficit de atenção; perguntas mais frequentes e suas respostas: http://www.tdah.org.br/br/sobre-tdah/tdah-perguntas-mais-frequeentes-e-suas-respostas.html  30/12/2014

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