TDAH diagnóstico – critérios atualizados do DSM-5

 

TDAH DiagnósticoAs informações apresentadas aqui estão devidamente atualizadas, de acordo com a edição mais recente do DSM, a 5ª edição lançada em 2014.

TDAH é a sigla usada para déficit de atenção e hiperatividade. O DSM-5 (manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais) o inclui entre os transtornos do neurodesenvolvimento, ou seja, trata-se de um conjunto de sinais e sintomas que se manisfesta cedo na vida da pessoa, na fase do desenvolvimento, talvez antes de a criança ingressar na escola, e que provoca déficits no desenvolvimento.

No caso específico do TDAH estes sinais e sintomas podem ser reunidos em três dimensões do comportamento:

  1. O déficit de atenção                              Triangulo de sintomas do TDAH
  2. O excesso de atividade motora
  3. A impulsividade

É verdade que toda criança é em muitas situações distraída, tem excesso de energia e age e fala impulsivamente. Isso não significa que tenha TDAH. Ele não é apenas um traço de personalidade. É preciso avaliar com cuidado a intensidade desses sintomas. O diagnóstico do TDAH é dimensional. Esse conceito pode ser melhor compreendido com uma ilustração:

Pense um pouco na diferença que existe entre uma pequena fogueira no meio de um acampamento e um grande incêndio numa floresta. Uma fogueira pode ser muito útil para manter-se aquecido, cozinhar e afastar animais perigosos. Esse mesmo fogo em proporções exageradas fica fora de controle, torna-se um incêndio e ao invés de benefícios causa muito prejuízo e põe vidas em risco.

De modo similar para se chegar ao diagnóstico de TDAH a tríade de sintomas deve ter uma frequência e intensidade suficiente para causar prejuízos na família, escola ou trabalho.

O DSM-5 estabelece alguns critérios que conduzem o diagnóstico desse transtorno. São os seguintes:

a) persistente falta de atenção e/ou hiperatividade/impulsividade, com uma gravidade, frequência e intensidade  maior que o observado na maioria das pessoas com semelhante nível de desenvolvimento.

b) vários sintomas devem estar presentes antes dos 12 anos de idade.

c) os prejuízos relativos aos sintomas precisam existir em, pelo menos, dois ambientes.

d) é preciso haver provas conclusivas que os sintomas causam problemas significativos nos campos social, profissional ou acadêmico.

e) antes de concluir o diagnóstico é necessário examinar se os sintomas não são melhor explicados por outros transtornos como o de ansiedade (transtorno do panico, bipolar, etc.) ou de personalidade (transtorno da personalidade obsessivo-compulsiva, narcisista etc.)

O DSM-5 estabelece critérios bem definidos para o diagnóstico. Ele indica outro fator a considerar durante esse processo. Os sintomas clássicos não se apresentam da mesma forma em toda pessoa, algumas apresentam mais hiperatividade e menos desatenção, em outros casos acontece o inverso. podendo se enquadrar em diferentes subtipos. São eles:

  • Apresentação predominantemente desatenta: quando a criança apresenta vários sinais de desatenção, mas não preenche os critérios de hiperatividade/impulsividade.
  • Apresentação predominantemente hiperativa/impulsiva: quando se apresenta vários sinais de hiperatividade/impulsividade, mas os sinais de desatenção não suficiente para preencher o critério de diagnóstico.
  • Apresentação combinada: Quando os critérios de hiperatividade/impulsividade e desatenção são igualmente preenchidos.

Esse manual de diagnóstico da uma lista de 18 grupos de sintomas clássicos do transtorno, nove deles relacionados com a desatenção e o restante ligados a hiperatividade.

Os primeiros sintomas listados no campo da desatenção estão relacionados memória, foco e, naturalmente, atenção (não prestar atenção a detalhes, ser descuidado nas tarefas da escola, não conseguir mantém a atenção durante brincadeiras ou outras atividades, não manter o foco durante as conversar ou nas aulas, parece na escutar mesmo quando se fala diretamente com ele ou ela, etc). Outros sintomas descritos são ligados a organização e planejamento (tem dificuldade para se manter organizado nas tarefas, não segue as instruções até o fim, não termina as tarefas iniciadas, tem dificuldade para gerenciar o tempo, perde coisas necessárias para as atividades, não gosta ou evita aquelas tarefas que exigem uma concentração mais prolongadas, etc). É preciso ter seis ou mais desses sintomas.

Os nove grupos de sintomas restantes são do campo da hiperatividade/impulsividade. Alguns descrevem o excesso de atividade motora (escalar as coisas ou correr quando se deve ficar parado, ficar se contorcendo na cadeira, não conseguir brincar calmamente, remexer as mãos ou os pés, comportar-se como se tivesse um “motor elétrico”). Outros descrevem o comportamento impulsivo (interrompe ou se intromete nas conversas dos outros, com frequência fala demais, apresenta dificuldade para esperar sua vez, dá respostas precipitadas muitas vezes antes da conclusão da pergunta, etc). Seis ou mais desses sintomas devem ser preenchidos.

Se essas informações lhe deram motivos para acreditar que uma criança ou adolescente aos seus cuidados tem TDAH, fale sobre isso com um profissional. Se você relatar suas suspeitas a um médico de sua confiança, seja um clínico ou outro médico da família ele poderá indicar um especialista em TDAH na sua região. Geralmente quando você confia num médico as chances de confiar nas indicações dele também é maior.

A associação brasileira de déficit de atenção (ABDA) matem uma lista de especialistas de vários estados (veja aqui). Ela também disponibiliza um questionário para o diagnostico de TDAH (veja aqui).

Outra alternativa é ligar para o departamento de psiquiatria de uma faculdade ou universidade do seu estado ou cidade. Muitas delas mantém programas de assistência à crianças com problemas de aprendizagem, ou programas que podem encaminhá-lo para especialistas próximos de sua área. Se preferir, ligue para o centro de saúde mental de seu município.

Um diagnóstico bem feito pode ser o início de mudanças positivas na vida do portador e seus familiares. A medida que você tenta compreender e aceitar essa condição e lidar com ela, seu comportamento e emoções podem passar por altos e baixos. Esse blog tem estratégias e sugestões sobre como você pode lidar com isso e fazer mudanças positivas na sua vida. Ao lado de seu médico, amigos e familiares você pode aprender novas formas de assumir o controle do TDAH do seu filho ou da criança ou adolescente que está aos seus cuidados e alavancar a qualidade de vidas de toda família.

Bibliografia
DSM-5: American psychiatric association, Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais, 2014, , 5 ed, ISBN 9788582710883
Rodrigues: Ana; Antunes, Nunes Lobo, Mais forte do que eu, 2013, SBN 9789892325507
Teixeira: Gustavo Henrique, Desatentos e hiperativos, 2011,  1ª ed., SBN 9788576848721
Barkley & cols.: Russell A. , TDAH – Manual para diagnóstico e tratamento, 2008, , 3 ed., SBN 9781593852108

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